... estava ela, sentada de pernas cruzadas, uma mão no queixo e a outra sobre o papel esperando o primeiro rabisco vir. Pensava em si. Tudo o que passou. Tudo o que estava. Tudo o que viria.
As lembranças vinham e algumas até esquecidas, momentos que se foram e marcaram, momentos que marcaram naquele tempo e hoje parecem que nunca existiram. Pessoas que visitaram seu mundo, sem hora marcada, sem licença, sem mandato, muitas delas, sem sua permissão.
Pessoas essas que sumiram de seu presente. Algumas deveriam estar a seu lado, estar em sua cidade, em sua casa, em seu corpo.
Aquelas que se foram nem deveriam chegar. De todo jeito é incômodo, aquela felicidade da memória, parece até ser clandestina. Uma felicidade clandestina.
Ela quer ser livre desse passado. Quer viver no futuro, lá na frente e não no hoje. Hoje reflete a saudade de ontem.
Adianta o relógio para ver se as horas passam mais rápido, não adianta. Não adianta.
Pergunto se és feliz!? O que é felicidade? Melhor não perguntar. Sentada querendo desenhar um mundo cheio de cores metálicas e sem forças pra começar... pois desenhar o infinito sem curva custaria-me a eternidade.
Talvez seja uma fase, lua cheia, sair de casa é olhar para o céu, é lembrar de momentos que nunca aconteceram e criar alguns que nunca irão acontecer. É conhecer novos rostos, novos gostos, de novo felicidade.
Ela não quer mais visitas em seu mundo, em seu lar, em seu presente. Presente esse que de tão feliz futuramente será mais um momento que parece nunca ter existido, mais um momento clandestino.
Sentada de pernas cruzadas, caneta na mão, ela começa a escrever... estava eu, sentada de pernas cruzadas, queria desenhar o infinito colorido, mas isso me custaria a eternidade...
Nenhum comentário:
Postar um comentário